Situações Polêmicas e Opiniões de Ódio nas Redes
Vivemos um momento em que estamos conectados a todo instante, chega uma mensagem no whatsapp, uma curtida no facebook, um retweet no twitter, um e-mail, um like no instagram, pessoalmente adoro as redes sociais, sinto que as utilizo até a exaustão por vezes. Ultimamente tenho dado mais valor para momentos desconectados, ler um livro com calma sem ser interrompida, escutar minhas músicas, até mesmo estudar sem distrações (se é que isso é possível).
Não sei sobre vocês queridos leitores, mas sinto um cansaço enorme depois de algumas horas de conexão intensa pois ficamos alertas a todo momento para a repercussão de nossas ações online e nos esquecemos por vezes do que estávamos fazendo. O que pode causar até acidentes, por sinal.
Toda esta atividade resulta em milhares e milhares de fotos, status e comentários. E essa última parte é o assunto deste post, já pararam para observar os comentários postados nas redes? Particularmente, tenho o hábito de ler o que as pessoas escrevem quando vejo uma notícia polêmica principalmente se está relacionada ao Direito.
Hoje, dia 23 de Dezembro de 2014, estava lendo meu feed de notícias no facebook como de costume quando me deparei com uma notícia de estupro que teria ocorrido na USP. Parei tudo e li a matéria até o fim, já possuía certo conhecimento com relação ao tema e me recordava de outra reportagem recente sobre estupros que teriam ocorrido na faculdade de medicina da Universidade de São Paulo.
http://g1.globo.com/sp/sao-carlos-regiao/noticia/2014/12/estudante-da-usp-denuncia-estupro-ele-dizia-que-eu-nao-precisava-querer.html
http://g1.globo.com/sp/sao-carlos-regiao/noticia/2014/12/estudante-da-usp-denuncia-estupro-ele-dizia-que-eu-nao-precisava-querer.html
Logo pensei em ler o que escreviam sobre o assunto enquanto via os comentários se multiplicarem. Cedi à tentação, de início percebi que havia uma controvérsia enorme, estavam muito bem divididos entre aqueles que culpavam a vítima (falando que ela estava bêbada, que devia não ter ido até a festa, que não tinha direito de reclamar, que merecia...) e os que a defendiam (repudiando os absurdos e afirmando que não é não).
Claramente, faço parte do segundo grupo, após a leitura completa da reportagem restou nítida a prática do crime, a vítima disse que não queria manter conjunção carnal (conjunção carnal é o termo jurídico utilizado pelo Código Penal que significa relação sexual) com o agressor que insatisfeito a estuprou se aproveitando de sua força física e da música alta que tocava impedindo que algum tipo de socorro fosse prestado. Ressalto que o agressor ainda teria dito que “tudo bem, você não precisa querer, vai ser rápido”.
O que me impressionou foi o nível dos comentários, quando alguma pessoa afirma que a vítima não tinha que reclamar de nada pois bebeu e participou de uma festa eu não consigo entender. Ninguém merece ser estuprado, quando alguém diz ‘não’ significa ‘não’ e ponto! Houve uma mudança significativa nos crimes contra a dignidade sexual, dentre eles o de estupro, em 2009 com a Lei 12015, alterou-se o Código Penal (a partir do artigo 213) e se passou a admitir que qualquer pessoa pode ser vítima de estupro, homem ou mulher.
Anteriormente a essa mudança somente poderia ser estuprada a mulher, situação que não cabe mais na sociedade atual, pois existe a possibilidade, por mais que acreditem que não, de um homem ser estuprado, tanto por uma mulher quanto por outro homem. Desta forma a mudança foi muito bem vinda, quanto a mulher a antiga letra da Lei trazia que só poderia ser vítima do crime de estupro a chamada ‘mulher honesta’ aquela que era virgem, ora caros leitores, tal afirmação remontava aos anos 40 e não a realidade atual por isso a alteração.
Como profissional que sempre busca a verdade real dentro de qualquer situação, especialmente quando se trata de um crime, devemos aguardar que o suposto agressor seja ouvido. Como cidadã para mim é praticamente certo que houve estupro, contudo devemos sempre dar a outra parte a chance de ser ouvida e explicar sua versão dos fatos. Não há justiça feita somente por uma via, o ônus de provar cabe aquele que acusa, assim antes de condenar quem quer que seja o processo deve ser seguido, afinal este é o meio eleito por nossa sociedade para a solução mais justa dos conflitos.
Retomando, o que temos é uma sociedade que fala o que bem entende por de trás de um computador, um celular, um tablet. Ao meu ver, é muito fácil falar as maiores atrocidades quando ninguém vê o seu rosto, quando as pessoas que você conhece não estão ali para te julgar. Acredito na liberdade de expressão, mas nesses comentários desrespeitosos não acredito pois são resultado do ódio e não direito do cidadão.
Para fechar com chave de ouro (ou não), resolvi postar o que eu havia entendido do caso: “Como todos os comentários feitos na internet sempre tem aqueles que escrevem somente para causar, para chamar atenção ou realmente tem um lixo de mente. Culpar a vítima é muito fácil, quem leu a matéria toda viu o descaso da universidade, que vira e mexe tem mais um caso de estupro, viu que a aluna foi estuprada inconsciente. Realmente, se você acredita que a culpa é da vítima que ela pediu só posso considerá-lo acéfalo.”
Talvez não tenha sido meu melhor momento, contudo expressei a minha opinião sobre aqueles que estavam fazendo suas necessidades no teclado. E recebi uma resposta que me fez rir por uns 5 minutos completos: “sempre tem umas gorda escrota querendo dar uma de intelectual nos comentários do facebook ¬¬" ”.
Poxa, não esperava o ataque, mas a internet é assim, por de trás de um computador as pessoas falam o que querem e acho que esse é um de seus maiores defeitos. No caso, caberia uma ação privada de pelo crime de injúria, contudo não feriu tanto meu íntimo com tamanha intensidade, mas isso é material para outro post. Juro que não fiquei chateada, estou em sitonia com a minha auto estima. Desejamos um Feliz Natal! E um próspero Ano Novo!


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