Meu Maior Medo de Ser Advogada Criminalista Se Tornou Realidade


Acompanhamos diariamente, por vontade própria ou não, os processos ligados à Operação ‘Lava Jato’. Considerado o maior esquema de corrupção de nosso país, maior até do que o Mensalão (ação penal 470), contém muitos réus e muitos, muitos advogados, dentre eles, Beatriz Catta Preta, reconhecida em casos Delação Premiada.

Sei que o trabalho de advogado criminal afronta muitas pessoas, todos os dias vejo comentários cheios de ódio e preconceito para com os advogados em notícias de crimes ou de qualquer tema relacionado ao advogado que atua na área penal.

Recebemos toda a sorte de críticas, nos perguntam ‘como podemos defender ‘bandidos’ ?’, nos tratam como se fossemos menos advogados do que os que atuam em outras áreas, contudo até hoje não me deixei abater. Até hoje.

Enquanto assistia televisão vi a chamada para a entrevista de Catta Preta que me chamou atenção: sob pressão na CPI da Petrobrás, advogada deixa clientes na Lava Jato. Pensei em uma infinidade de possibilidades, mas a entrevista que veio em seguida me assustou.

Dra. Beatriz afirmou que sofreu ameaças indiretas e veladas por estar atuando no caso, declarou que suas experiências com processos parecidos sempre foram as melhores e por causa de tais ameaças decidiu fechar seu escritório. 

Como fiquei chateada pelo fato de que Catta Preta teve que deixar de praticar o Direito em virtude de ameaças relacionadas ao seu trabalho. O meu maior medo se tornou realidade, uma colega havia sido ameaçada e teve que parar de advogar. 

Já vi colegas que prometiam aquilo que não podiam e em razão disso se prejudicaram, contudo, até onde sei e pesquisei bem, Catta Preta nunca utilizou mal de suas prerrogativas e era muito considerada nos processos em que foi a defesa. 

O meu maior receio sempre foi esse: ter que parar de advogar por trabalhar com a matéria penal, no caso em comento a Dra. Beatriz parou de ser avaliada por sua capacidade jurídica quando o processo tomou um viés político.

Ainda houve a colocação infeliz do deputado Hugo Motta (Presidente da CPI), que afirmou a advogada utilizou-se de vitimização para renunciar e que pode ter cometido atos ilícitos. Uma série de bobagens que o político utilizou para que deixassem de especular que as ameaças vieram de políticos com medo de terem nomes revelados.

A Ordem dos Advogados do Brasil impetrou HC preventivo com pedido liminar no Supremo Tribunal Federal para garantir que não fosse necessário prestar ‘quaisquer esclarecimentos’ na CPI da Petrobrás. Atuação com a qual concordo e fico contente em ver a OAB representando bem nossa classe.

Muito acertadamente o ministro Lewandowski concedeu à ordem e assim prevaleceu a garantia do sigilo profissional, não tem cabimento chamar qualquer advogado para reveler segredos de seu cliente e valor de honorários. Com essa pressão e ameaças findou-se uma carreira que poderia ser a de qualquer causídico naquele processo.

Termino esse texto afirmando que como advogada estou indignada e muito chateada com a situação e espero, nunca, ter medo de praticar o Direito na área que mais amo, o Direito Penal. Bom Fim de Semana!








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