Um ano da Lei de Feminicídio


Na semana passada tivemos notícia de duas tragédias, ainda, comuns no século XXI. Duas jovens foram mortas por homens que diziam amá-las. Tal situação deixou um enorme pesar em mim e me fez questionar sobre o que faz esses acontecimentos serem comuns até os dias de hoje.

Somos o fruto de uma sociedade machista, patriarcal e arcaica. Lutamos por mudanças concretas num mundo onde muitos acham que receber flores e chocolates no dia 08 de março já basta.

E é com muita alegria que digo que muitas mulheres (e homens) discordam! Queremos mudanças reais, pois o feminismo não significa superar o gênero masculino, mas ter igualdade de possibilidades, credibilidade e força, tanto no trabalho como em nossas relações mais pessoais.

A Lei que instituiu a qualificadora do feminicídio fez um ano (09 de março) e com ela as discussões com relação a mulher se intensificaram. Ser mulher no século XXI não é pra qualquer um: as denúncias de violência doméstica aumentaram, pois as vítimas tiveram mais apoio para fazê-las, muitas criam e cuidam sozinhas de filhos que não foram feitos com o dedo, recebem menos do que os homens para realizarem a mesma função e gastam mais tempo em faculdades e universidades do que os homens proporcionalmente.

Pessoalmente já sofri constrangimentos por ser uma jovem mulher, já tive minhas habilidades profissionais questionadas por causa da pouca idade e gênero, o que pela minha experiência não é tão incomum na área criminal, dominada por homens por tradição.

Em cerca de 70% dos casos de violência contra a mulher são cometidos por homens que tinham vínculo afetivo com elas. Os números assustam, vejo a Lei com bons olhos nesse sentido.

Tecnicamente falando a nova qualificadora me parece ‘chover no molhado’. Entendam, quando ocorria o homicídio em situação de violência doméstica, antes da nova Lei, geralmente era reconhecida a qualificadora de futilidade (por se tratar de um crime desproporcional). Agora será reconhecido o feminicídio. Ou seja, já era aplicada uma qualificadora, a pena já era aumentada, a diferença é que se criou uma causa espefíca para o aumento que na prática já ocorria. 

O contexto em que vivemos tem me incomodado bastante, ver mulheres em situação de violência é muito difícil. Mas vejo a igualdade crescendo diariamente e espero que num futuro próximo esse tipo de violência deixe de ser manchete.




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